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Contra a Implantação da ALCA - Aliança do Livre Comércio das Américas

A Campanha Contra a Alca foi organizada em todo o Brasil por um Comitê Nacional formado por diversas entidades, a CUT faz parte da Coordenação Nacional.

De 1º a 7 de setembro foi realizado em todo o Brasil um plebiscito para apurar a opinião do Povo Brasileiro sobre a assinatura deste tratado.

Conheça agora alguns argumentos que fazem valer o slogan - Soberania SIM, ALCA Não!

A soberania é a essência da independência de um país. Somente um País-Estado soberano é capaz de se organizar e tomar decisões de forma independente, sem submeter-se aos interesses de outros.

Mas isso os Estados Unidos da América não querem. O que eles querem é impor seu domínio a todos os povos. E para isso atacam de três formas: controle total sobre o comércio, impondo a Alca; domínio militar, através da instalação de bases militares norte-americanas e a promoção de programas militares sub-regionais, como o Plano Colômbia; e financeira, através de políticas do FMI e Banco Mundial, causando fome e miséria aos povos.

As consequências da Alca em sua vida:

1. Aumento brutal do desemprego

Atualmente, um em cada cinco trabalhadores brasileiros está desempregado.
Com a Alca, isso vai piorar ainda mais. Muitas empresas brasileiras vão fechar, pois não conseguirão concorrer com os produtos importados dos Estados Unidos. O desemprego poderá atingir de 30 a 40% dos trabalhadores.

As transnacionais vão abocanhar até as compras governamentais. Ou seja, o governo poderá ser obrigado a importar até merenda escolar.

2. Até o acesso à água está ameaçado

Eles querem que a água se transforme em "propriedade hemisférica", ou seja, das grandes empresas transnacionais. Na Bolívia uma dessas transnacionais tentou se apropriar dos rios que os camponeses indígenas usam milenarmente para irrigar sua lavoura e cobrar deles pela água. .

No Brasil, eles querem privatizar toda a rede de água e saneamento básico e também o petróleo e o gás, como já fizeram com a energia. Você já está sentindo no bolso os aumentos da conta de luz. Com a Alca verá que também a água será para poucos.

3. Da medicina popular aos alimentos: as corporações querem tudo

Você poderá ser obrigado a pagar caro até por um chazinho de boldo ou de quebra-pedra. Com a Alca, as transnacionais farmacêuticas poderão patentear e transformar em sua propriedade - como se fosse sua "descoberta" - qualquer planta ou medicina popular. E poderá processar qualquer um que usar tais medicamentos sem pagar. Isso vale também para as sementes.

No México, uma transnacional patenteou um tipo de milho que há séculos é plantado pelos camponeses. Agora, pode processá-los ou exigir pagamento por seu uso. Uma lata de sementes de tomate aumentou seu preço 300 vezes depois de "patenteada".

4. A educação e saúde públicas serão privatizadas

O povo sabe, porque sente na pele quando tem de procurar um hospital público ou na hora de escolher escola para o filho, do descaso com que governo lida com estas questões sociais.

E mais. O objetivo do governo é jogar para a iniciativa privada estes serviços. Por isso FHC vem diminuindo a cada ano os recursos destas áreas. E com a Alca isso só tende a piorar: mais dinheiro para os banqueiros e para as transnacionais, menos para as escolas, hospitais e serviços públicos.

5. Fim dos direitos sociais e trabalhistas

A Alca vai acabar com o 13º salário, o FGTS, as férias, a licença maternidade, o pagamento de horas-extras e de outros direitos adquiridos pelos trabalhadores.
A "reforma" do governo FHC na legislação trabalhista que visa acabar com a CLT é uma exigência da Alca. Mais de 50% dos trabalhadores brasileiros não possuem carteira assinada. Com a Alca esse número vai aumentar ainda mais.

6. Mais arrocho salarial

Os salários serão ainda mais reduzidos. As empresas vão se instalar nos países onde são pagos os salários mais baixos. Vão tentar jogar os trabalhadores de um país contra os de outro.

Algo desse tipo já aconteceu no México, a partir de 1994, quando o país entrou para a Área de Livre Comércio da América do Norte, com os Estados Unidos e o Canadá. Os salários, no México, foram reduzidos em 20%. Aumentou o desemprego e a pobreza: os pobres, que eram 40% da população, hoje somam 75%.

7. A Amazônia também está na mira da Alca

Os Estados Unidos estão de olho na Amazônia. Querem que a floresta deixe de ser brasileira e torne-se "propriedade hemisférica" (isto é, propriedade das empresas transnacionais americanas). Em outras palavras, querem abocanhar a riqueza mineral e a biodiversidade existente na floresta, o que ameaça todo o ecossistema amazônico.

E mais. Os norte-americanos vão despachar para o Brasil e para toda a América Latina empresas transnacionais altamente poluidoras, como fizeram no México.

Em 1980, o governo brasileiro criou uma base de lançamentos de foguetes no município de Alcântara, interior do Maranhão. Para isso desapropriou uma área de 52 mil hectares. Em 1990, a área foi ampliada para 62 mil hectares.
Cerca de 500 famílias, a maioria descendentes de quilombolas, foram removidas para sete agrovilas. Agora, além de estar longe dos locais de pesca, a terra que receberam é imprópria para a agricultura.

O pior é que a Base poderia funcionar com apenas 8 mil hectares, que são os de fato ocupados pelos militares e suas instalações.

FHC faz acordo servil com os americanos

Em 2000 o Governo FHC assinou um acordo com os Estados Unidos cedendo a área da Base de Lançamento de Alcântara para os EUA.

O acordo permite que a área seja transformada em base militar dos americanos, que passariam a ter total controle da área. Inclusive o direito de decidir quem pode ou não entrar nela. Pior: a alfândega brasileira não teria permissão nem de fiscalizar as cargas que chegarem dos Estados Unidos para a Base.

E sabe quanto o Brasil vai receber por isso? 34 milhões de dólares por ano. Este é o valor pelo qual o Governo FHC vende a soberania do Brasil.

Os textos foram extraídos do Boletim Nacional da Campanha Contra a Alca, N 2. Ilustrações: Bruno Galvão, Jornalistas responsáveis: Nilton Viana e Milton Viário. Redação: Secretaria Nacional da Campanha Contra a Alca: Rua do Glicério, 221 - Bairro da Liberdade, São Paulo (SP). Cep. 01514-000. Telefone/fax: (11) 3341 0201. Correio eletrônico: jubileubrasil@terra.com.br.

COMITÊ BAIANO CONTRA A ALCA

Em Salvador foram realizadas diversas atividades contra a ALCA, em 28 de agosto de 2002, um arrastão bem humorado saiu do Campo Grande até a Praça Municipal e contou com a performance do peão contra o dragão da ALCA, pernas-de-pau e uma bandinha de sopro, e um diabo, representando os Estados Unidos, fizeram diversas performances dando o tom nacionalista à manifestação.
Os baianos cantaram durante todo o percurso, do Campo Grande a Praça Municipal, diversas músicas, entre elas, o Hino Nacional Brasileiro. O clima era de festa e protesto, como tudo o que acontece na Bahia.

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